terça-feira, maio 30, 2006

Poemia

: primeiro a gente p�e no mundo, e depois v�no que d�

sexta-feira, março 17, 2006

por que cargas dágua

Tá foda isso aqui

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Conheção

Assim digo
conheço o tempo
na rua que mendigo
e a vara que empunho
na sedentária tara
e a bala com que furo
os olhos da minha cara

no mais
bares e marés
a tábua quase rasa
escova no convés
e o relógio que atrasa

ainda sob a pele
e pelos da palavra
em póros e espelhos
esparralhada
a baba

pois quem
com terços perde
aos quintos dos infernos
ouça minha verve
não reza na parábola

goiabada geral

aqui jazz carijó
sambaqui e samba lá
fox trotte kamayurá
aguardente em pó

MACONDA
é onde estabeleço-me
entre precipício e começo
hospício é meu endereço

por isso lhe dei meu preço
prego velho na mão de cristo
será esse nosso incesto
será esse nosso início

os signos que não consigno

Quero a estridência no poema
Capaz de estilhaçar o cristal do tempo
Cometer o crime de todas as penas
Hemorróidas no cu do vento

Quero merda pura na drogaria
Veneno no oco do sempre
Que exale no ventre da poesia
O fedor do coro dos contentes

Quero os versos mais porcarias
Pra igualar à burrice dos inocentes
Pragas e pestes na liturgia
Esquartejar o corpo e a mente

Coceiras na unha da alegria
Pirar os deuses mais freqüentes
E desossar a vertente do dia
.................................................
Quero embriagar as nuvens negras
Raspar os pelos da musa nua
Espinhos de aço na fina trégua
Cuspir no centro do olho da lua
..................................................
Esticar o arco final da légua
E corromper o que se cultua
..................................................

hai kais indefectíveis

nem réu
nem rei
serei

nem pá
nem lavra
talvez

nem céu
nem água
darei

ao que me acaba
abracadabra
piolho de cobra

pinga de cana
tomei

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as reverências são verdes
preservadas ao chão
por isso pulo
do cécimo andar
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tá combinado
hoje é platão meu
amanhã
sócrates no teu
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feliz aquele que pula
esmaga ovos e furulas
enquanto atropela a rua
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(Mário Sá)

sexta-feira, dezembro 16, 2005

de profundis

primeiro foi o grito primordial

cem éguas saracoteiam

“sob as estremecidas estrelas”

ao bordão de uma guitarra

entre as coxas de cobre

e a acústica do vinho


na casa cinza estão os tantos

os mitos, arete

Caos, Gaya, Eros e Tártaro,

Érebo e Urano, Zeus e Cronos

ainda fascinados com o raio dos dedos


mas dormem para sempre nas nuvens da grande montanha os titãs

“gente com o coração na cabeça”

“e os que te seguiram pelas ruelas escuras”


nas torres negras dos edifícios brancos

canta um vento como sino

tocando bêbado com a unha

o vento amarelando o eco das ruas

destinadas a ser testemunhas mudas

e apenas vela empurrada a esmo pela proa

nave como o pó verde sobre o espelho verde

que se move


na torre branca dos edifícios negros

está o cara que fugiu

a lente nos olhos mirando a foice que o pariu

e os versos não escorrem na calçada

esguichado pela jugular

não se perde nada


“en la casa se defienden

de las estrellas”

Ares, derrotado novamente por Atena?

espiralando-se em vão as brumas pentagonais

sua voz na ilha deserta

seu pelo em praça pública

seu oco nos jornais

e o que dói


no entanto – quimeras são todos os dias

- o basalto do céu da cidade é chumbo

- fuligerme se procria no pó do medo

e o diabo é profundo


portanto, pode vir com velhas fotografias

no amarrotado jornal de ontem

já pus veneno na fonte

deletei a próxima aurora

desmaiei risos no horizonte

e furtei o agora

quinta-feira, novembro 24, 2005

Janelas

quarta-feira, novembro 16, 2005

Escorpião

sexta-feira, novembro 11, 2005

No Procênio

Talvez eu não devesse tocar fogo no rabo do capeta

Talvez eu não devesse gorar os planos divinos e enrabar santos e anjos de uma vez

Talvez eu não devesse golpear com lâmina fina o ventre do céu

Talvez eu não devesse soltar minhas górgonas furiosas para o gol do desempate

Talvez eu não devesse esticar o arco até o limite da sorte e olhar no centro dos olhos da medusa antes do gozo

Talvez eu não devesse vomitar na catacrese e mandar o mecenas à merda

Talvez eu não devesse assumir minha insignificância, declarar os nós na garganta, peidar númenos pressupostos e guilhotinar o self control

Talvez eu não devesse inverter o espelho, quebrar a face branca e enrugada da moral e uivar para qualquer uma das luas de saturno

Talvez eu não devesse tocar blues e jazz no meu violão de oito cordas ou cantar com meu piano exageradamente bêbado

Talvez eu não devesse mumificar a musa e lamber estriquinina no fuzuê dessas tribos de geena

Talvez, quando eu estiver vencido esta parada

Tiver acertado o alvo

sóbrio de poesia

eu saia de cena