quatro razões para duvidar
soa de fato assim:
grama – grão – à cor de creme;
à placa desassombrada, limite entre senso, senha
e o que se parece com o oeste das coisas giratórias.
cheira, de fato assim: à nuvem, às tardes de chuva e relógios
rabiscos de água pingando poças centrífugas e centrípetas.
de fato se observa: o núcleo do joio é de trigo:
– aos plenos percalços, aos jogos e às máscaras.
– aos sapos o pulo na gota de chuva
– aos homens enchente de desejos e medo
– às tribos a larva do pão e do vinho
dança comum à reciclagem, à flexibilidade somática,
aos meios oxidantes, aos gases, aos ácidos.
de fato ásperos véus na urdidura: às frestas, aos buracos,
aos fios, às pedras, à lava congelada pelos séculos contados em detalhe:
primeiro
grama é verde até quando a vaca caga.
se grama almeja ser creme, vale o grão.
a placa já prova quase nada.
segundo
o saber tem cheiro e sabor
cada um é um círculo na espiral d’água
um pote de ouro no fim do arco-íris é crime
terceiro
o começo justifica o fim, dizia o velho zen.
a merda justifica a fome, afirmava.
a imaginação justifica o universo, pregava
quarto
um quadro não precisa ser verdadeiro
nem suas cores, sua textura, e muito menos
o cheiro da tinta que mascara gotas uterinas

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