sexta-feira, outubro 14, 2005

quatro razões para duvidar

soa de fato assim:

grama – grão – à cor de creme;

à placa desassombrada, limite entre senso, senha

e o que se parece com o oeste das coisas giratórias.

cheira, de fato assim: à nuvem, às tardes de chuva e relógios

rabiscos de água pingando poças centrífugas e centrípetas.

de fato se observa: o núcleo do joio é de trigo:

aos plenos percalços, aos jogos e às máscaras.

aos sapos o pulo na gota de chuva

aos homens enchente de desejos e medo

às tribos a larva do pão e do vinho

dança comum à reciclagem, à flexibilidade somática,

aos meios oxidantes, aos gases, aos ácidos.

de fato ásperos véus na urdidura: às frestas, aos buracos,

aos fios, às pedras, à lava congelada pelos séculos contados em detalhe:

primeiro

grama é verde até quando a vaca caga.

se grama almeja ser creme, vale o grão.

a placa já prova quase nada.

segundo

o saber tem cheiro e sabor

cada um é um círculo na espiral d’água

um pote de ouro no fim do arco-íris é crime

terceiro

o começo justifica o fim, dizia o velho zen.

a merda justifica a fome, afirmava.

a imaginação justifica o universo, pregava

quarto

um quadro não precisa ser verdadeiro

nem suas cores, sua textura, e muito menos

o cheiro da tinta que mascara gotas uterinas